MENSAGEM DA DIRETORA

Celebrar 150 anos é, sem dúvida, motivo de orgulho, no entanto, mais que orgulho, move-nos a responsabilidade de honrar a herança recebida trabalhando com competência e coragem, visão e foco, esperança e fé. Oxalá com uma parcela da ousadia que tiveram os que chegaram a Itu, em 1867.

A celebração dos 150 anos do Colégio São Luís não poderia acontecer em momento mais fecundo. Precisamente em 2017, encerra-se um ciclo de revisão do apostolado educativo da Companhia de Jesus em nível mundial que nos afeta diretamente.

Iniciado em Boston, em 2012, com um Encontro Internacional de diretores gerais, este movimento tem tripla finalidade:

1- reconhecer o rosto educacional da Companhia de Jesus no mundo neste início de século XXI e buscar estratégias eficazes para garantir unidade em meio a tamanha diversidade ;

2- buscar e encontrar caminhos eficazes de renovação da prática educativa nos colégios;

3- a terceira e última finalidade, um tanto mais prática, a elaboração de um novo documento que indique o “mínimo comum” que deve estar presente nas escolas jesuítas em qualquer parte do mundo.

O encontro em Boston nos mostrou e demonstrou que no Ocidente e no Oriente, no hemisfério Norte e no hemisfério Sul, a vida estava mudando, às vezes à força, mas as coisas seguramente não permaneciam iguais. Não obstante, no mesmo evento, constatamos que as escolas, via de regra, passavam ao largo da maioria destas mudanças e continuavam a realizar bem e até melhor, mais do mesmo.

Em 2014, ao final do Seminário de Pedagogia e Espiritualidade Inacianas, que reuniu 80 especialistas de diferentes partes do mundo durante uma semana, em Manresa (Espanha), estava claro que precisávamos mudar, assim como estava claro que muitos temíamos a mudança e as reações que provocaria. Porém todos coincidíamos em que a alternativa da inércia seria o início de um caminho pouco promissor.

Delegado a um grupo de especialistas e criticado por profissionais de escolas jesuítas de muitos países, o documento provisoriamente intitulado “Novos sinais dos tempos, educação primária e secundária no século XXI” já está em sua terceira versão e será submetido à apreciação final no Encontro Mundial dos Delegados de Educação, que acontecerá em outubro deste ano, na cidade do Rio de Janeiro, sede da Província Jesuíta do Brasil.

Como veem, não haveria melhor momento para celebrar 150 anos! O CSL tem participado intensamente deste movimento e, na plenitude de seus 150 anos, é desafiado a rever sua organização curricular e suas práticas de gestão e pedagógicas, a rejuvenescer para estar em melhores condições de acolher e dialogar com as novas gerações que recebe e continuará recebendo.  Repensar e reorganizar o colégio para prepará-los para um mundo que nós não fazemos a mais mínima ideia de como será!

Talvez um dos grandes desafios deste processo seja carregar os 150 anos de história do CSL com tal leveza que mais que nos pese e nos impeça de avançar, por apego, nostalgia ou vaidade, estes 150 anos nos sirvam de combustível para reinventar, como seguramente os que nos antecederam fizeram algumas vezes. Dizia o Padre José Alberto Mesa, Secretário Mundial para Educação Básica na Companhia de Jesus, em visita ao Colégio São Luís em março de 2016: “o desafio do CSL, ao completar 150 anos, é ser capaz de refundar-se, sem perder a conexão com a seiva da raiz fundacional que o trouxe até aqui”.

Neste movimento de refundação, em uma sociedade tão fortemente marcada pelo individualismo, trabalhamos para que nossos alunos e alunas cheguem ao final de sua educação básica conscientes do privilégio que tiveram, e suficientemente lúcidos e sensíveis para reconhecer que o que receberam, por melhor que tenha sido, será insuficiente para um projeto de vida de realização e felicidade. A missão estará plenamente realizada quando, além de competentes para ingressar nas melhores universidades – se assim o desejarem -, os egressos sejam  jovens comprometidos com a busca do bem comum porque aprenderam, no CSL, que o bem individual não tem lugar em uma sociedade que não garanta o bem comum. Porque construíram, gradativamente, a compreensão de que os bens oferecidos a uns precisam, em mínima medida, estar disponíveis para todos.

Outro desafio que nos interpela neste movimento de revitalização é a formação de cidadãos globais. Porém, aqui uma ressalva: o pressuposto de que a formação de uma cidadã, um cidadão global começa pela proficiência em diversos idiomas e pelo conhecimento de diferentes partes do mundo é condição necessária, mas insuficiente para alcançar tal fim. O que efetivamente forma um cidadão global que, por definição, é alguém que conhece,  aprecia e se apropria do que é sua identidade local, é a capacidade de dialogar e apreciar a diversidade em todos os níveis, respeitando e preservando o que de mais valioso há em cada pessoa humana que é a sua dignidade.

Egressos de colégios da Companhia de Jesus, portanto, também aloisianos, devem ser capazes de atuar com competência e criatividade, de maneira consciente, comprometida e compassiva, em qualquer contexto, adaptando-se sem maiores dificuldades, convivendo com pessoas de diferentes religiões, culturas, orientações sexuais, condições sociais, sem perder com isso sua referência de identidade. Ao contrário, enriquecendo-a nesta convivência plural, porque aprenderam, no CSL o valor e a riqueza da diversidade. Aprenderam também a importância da divergência, condição de avanço da ciência e desenvolvimento da humanidade.

No mesmo curso do processo de revitalização, estamos investindo de maneira particular na nossa formação como profissionais. Assumindo que nossas competências precisam ser atualizadas e desenvolvidas, teremos um marco importante no mês de setembro:  um Seminário de Educação no qual discutiremos novos modos de ser escola com educadores de outras instituições de educação básica e ensino superior de diversas partes do país.

Neste momento de celebração, reforçamos nosso agradecimento a todos os jesuítas e leigos que construíram a história do Colégio São Luís e nos deixaram esta grande herança. A toda equipe de colaboradores que, com muito trabalho e dedicação, participa deste momento de renovação. Aos antigos e atuais alunos, fiéis escudeiros da educação recebida e que dela dão testemunho, e suas famílias, que depositaram e depositam confiança na Companhia de Jesus, compartilhando com o CSL uma parte da educação de seus filhos.

Sônia Magalhães